segunda-feira, 14 de março de 2016

MULHER x (mulher)


                        “Vamos lá: levantem o braço com vontade! Nada de meio bracinho encolhido! Vocês têm que mostrar energia, decisão!!
                        Se você pensou que isso é uma aula de pilates ou uma sessão de aeróbica, errou. Trata-se, na verdade, de uma aula sobre a arte de pedir (e obter) a palavra em público, parte de um projeto que vem sendo realizado desde 2010, pela prestigiada Harvard Business School, nos Estados Unidos, a jovens estudantes inscritas no programa de equidade de gênero, com o intuito de diminuir o gap de desempenho entre estudantes homens e mulheres.
                        O objetivo da atividade? Incentivar a participação feminina nas discussões em classe, responsável por 50% da media final das notas, algo visto como uma dificuldade para elas.
            A iniciativa foi de Drew Gilpin Faust, a primeira presidente mulher de Harvard, após constatar, através de um levantamento histórico dos registros da Universidade, que muito embora calouros de ambos os sexos ingressem naquela universidade com notas e qualificação equivalentes, vão se distanciando ao longo do curso – sempre em favor dos meninos.
                        Visando reverter esse quadro, ela propôs a criação desse programa de equidade de gênero, buscando não só melhorar o desempenho das mulheres em Harvard, mas também capacitá-las para que cheguem à liderança das empresas e em pé de igualdade ao mercado de trabalho com os homens.
                        De acordo com um balanço realizado com a turma de 2013, com o programa houve um aumento significativo das notas das meninas, que concluíram o curso com um número recorde de prêmios acadêmicos e distinções de excelência.
                        Tenho que confessar que quando soube da existência desse programa através de um texto escrito por Cynthia de Almeida, para a revista Claudia, fiquei surpresa. Como assim, as meninas de Harvard, que estão bem longe de ser estudantes medianas ou inseguras e que passaram por um dos mais disputados funis acadêmicos, teriam dificuldade de erguer o braço e participar?             
                           Fiquei muito tempo pensando sobre isso, e de repente, lendo um lindo texto de uma amiga sobre sua história com o Ministério Público, me deparei com a crônica "Mulher entre Parênteses", escrita por Martha Medeiros em 2011 para o Jornal Zero Hora, que até então não conhecia. A crônica fala da mulher boazinha, agradável e insignificante, que não dá opinião, com medo de desagradar. Fala daquela mulher que, mesmo independente financeiramente, tem amarras emocionais que a aprisionam sem cela. Daquela que leva a vida pela metade.
                              Como uma flecha, essa história me remeteu aos ensinamentos da minha mãe e de tantas outras mães que buscam criar as filhas dentro do mais alto e rigoroso padrão social : - Comporte-se;  - Não se mexa tanto; - Não crie confusão;  - Menina bonita não fala alto e não fica chamando a atenção;  – Não questione tanto, é muito feio!! 
                          E as coisas começaram a fazer sentido.  Já não estava mais tão surpresa com o programa de equidade de gênero realizado por Harvard.
                         Então, me lembrei de Virgínia Woolf, que em 1928, no período pós-guerra, escreveu um ensaio sobre a mulher e a literatura e de um jeito poético, ainda que cruel, passeou pelos problemas que, naquele tempo, as mulheres enfrentavam para além da sua literatura (como o fato de que não podiam frequentar faculdades, guardar dinheiro, empreender qualquer que fosse um negócio, etc.).
                        Em “Mulheres e ficção”, Virginia teceu um panorama histórico sobre a escassez de mulheres escritoras, sobre as dificuldades por elas enfrentadas, e sobre como esse cenário começava a dar sinais de mudança. Ao final, chega mesmo a vaticinar: “[…] as mulheres do futuro escreverão menos, mas melhores romances; e não apenas romances, mas também poesia e crítica e história. Ao dizer isso, por certo olhamos à frente, para aquela era de ouro e talvez fabulosa em que as mulheres terão o que por tanto tempo lhes foi negado - tempo livre e dinheiro e um quarto só para si.”
                        E refletindo, percebi que mais de oito décadas depois, muitas coisas mudaram, mas nem tanto. Hoje já podemos votar, frequentar faculdades, entrar em bibliotecas, ter dinheiro no banco e até montar nosso próprio negócio. Não estamos mais dependentes incondicionais de um bom casamento, podemos inclusive nem nos casar e já temos alguma liberdade para decidir entre ter ou não ter filhos, mas ainda temos dificuldade de falar e escrever, relatar e registrar nossas experiências. 
                        Eu sei que escrever é difícil para todo mundo – tanto para homens quanto para as mulheres – mas as vozes masculinas são muito mais presentes. Ainda há pouca gente falando para mulher, sobre mulher, com a mulher. Na maioria das vezes ainda é um homem escrevendo sobre questões nossas.
                       Clarice Lispector, quando tentou, foi taxada de mulher louca. E dia desses, li que J.K Rowling, escritora de Harry Potter, foi aconselhada a abreviar seu nome quando entrou no mercado, para chamar a atenção dos meninos para a sua saga.
                        Na maior parte dos livros as personagens femininas não são as principais – e, quando o são, em geral elas estão chorando por homens. Nos livros de aventura, épico ou fantasia, com personagens femininas em primeiro plano, geralmente elas são masculinizadas para ter um alcance de mercado maior.
                        Os romances estão entrelaçados por nossas fragilidades. Mas raramente pelos motivos com que nossas fragilidades foram criadas. Muito pouco se fala que trocamos de roupa várias vezes antes de colocar nossos pés fora de casa, porque temos que estar belas, mas de forma que não chame a atenção, muito menos desperte a libido. Que trabalhamos muito, para ganhar menos. Que encontramos namorados machistas que querem nos controlar. Das vezes em que somos caladas por homens a nossa volta, com ou sem a consciência deles. De que mulher nas ciências exatas quase não existe e se existe tem que dar um duro danado para chegar em algum lugar. De que mulher nas ciências humanas ainda produz bem pouco de interessante para a academia.
                        Ninguém fala como é a vida de uma mulher que apanha e tenta se livrar do marido. E da que não consegue se livrar do marido, por qualquer que seja a razão (afinal, se ela está com ele é porque gosta de apanhar – como se alguém em sã consciência gostasse de apanhar!!!). Ninguém quer entender como funciona o sistema de aborto clandestino. Porque é sempre mais fácil jogar tudo para debaixo do tapete.
                    Fomos por tanto tempo silenciadas que ao longo do tempo silenciamos, e seguimos preferindo a elegância do silêncio à eloquência.
                        Continuamos mulheres entre parênteses, presas aos estereótipos e às amarras sociais que nos tolhem.
                        A questão, entretanto, é que o silêncio preserva, mas não promove mudanças. Impossível o debate de ideias sem o sacrifício do silêncio.
                        Como banir rótulos? Como mudarmos o nosso próprio pensamento machista, que nos foi incutido desde sempre pela sociedade em que vivemos? Como nos identificarmos, assim como nossas dificuldades e nossas necessidades? Como chegarmos à liderança, sem nos tornarmos eloquentes?
                        A representatividade de nossa luta diária – nas ruas, no trabalho, nos espaços sociais aumentou, é verdade, mas continua baixa.       
                        De repente, me lembrei do quanto fiquei feliz ao saber da existência da campanha “Ban Bossy”, que contou com a participação de Beyoncé, Jane Lynch, Alicia Keys e Jennifer Garner, entre outras, para encorajar a ambição feminina, através do banimento de rótulos, e o programa de equidade de gênero realizado por Harvard passou a fazer todo o sentido.
                        Como explica Beyoncé: - Quando um rapaz se afirma, ele é chamado de "líder"; contudo, quando uma menina faz o mesmo, ela arrisca-se a ser marcada de "mandona", “autoritária”, palavras que trazem incutidas a ideia de que não devemos levantar a mão, não devemos falar mais alto e nos afastam dos anseios de liderança — uma tendência que continua na vida adulta.
                        “Sejam corajosas!” incentiva a campanha. "Há que reconhecer as muitas maneiras com que se desencoraja, sistematicamente, a liderança nas meninas desde tenra idade – ao invés disso, precisamos incentivá-las," diz a COO do Facebook, Sheryl Sandberg.
                        "Eu não sou mandona - eu sou o chefe" ("I'm not bossy – I'm the boss"), conta Beyoncé no vídeo.
                          Para mais informações é só acessar www.banbossy.com
                        Então, finalmente minha surpresa com o programa de Harvard acabou e conclui que ainda bem, sempre é tempo para ensinarmos e aprendermos a levantar a mão.                      
                        Para quem não conhece ou ainda não teve a oportunidade de ler a crônica de Martha Medeiros, segue abaixo:

“Uma mulher entre parênteses

Tinha algo a dizer, mas jamais aos gritos, jamais com ênfase, jamais invocando uma reação.
Era como ela catalogava as pessoas: através dos sinais de pontuação. Irritava-se com as amigas que terminavam as frases com reticências... Eram mulheres que nunca definiam suas opiniões, que davam a entender que poderiam mudar de ideia dali a dois segundos e que abusavam da melancolia.
Por outro lado, tampouco se sentia à vontade com as mulheres em estado constante de exclamação. Extra, extra! Tudo nelas causava impacto! Consideravam-se mais importantes do que as outras! Ela, não. Ela era mais discreta. A mais discreta de todas.
Também não era do tipo mulher dois pontos: aquela que está sempre prestes a dizer uma verdade inquestionável, que merece destaque. Também não era daquelas perguntadeiras xaropes que não acreditam no que ouvem, não acreditam no que veem e estão sempre querendo conferir se os outros possuem as mesmas dúvidas: será, será, será? Ela possuía suas interrogações, claro, mas não as expunha.
Era uma mulher entre parênteses.
Fazia parte do universo, mas vivia isolada em seus próprios pensamentos e emoções.
Era como se ela fosse um sussurro, um segredo. Como uma amante que não pode ser exibida à luz do dia. Às vezes, sentia um certo incômodo com a situação, parecia que estava sendo discriminada, que não deveria interagir com o restante das pessoas por possuir algum vírus contagioso.
Outras vezes, avaliava sua situação com olhos mais românticos e concluía que tudo não passava de proteção. Ela era tão especial que seria uma temeridade misturar-se com mulheres óbvias e transparentes em excesso. A mulher entre parênteses tinha algo a dizer, mas jamais aos gritos, jamais com ênfase, jamais invocando uma reação. Ela havia sido adestrada para falar para dentro, apenas consigo mesma.
Tudo muito elegante.
Aos poucos, no entanto, ela passou a perceber que viver entre parênteses começava a sufocá-la. Ela mantinha suas verdades (e suas fantasias) numa redoma, e isso a livrava de uma existência vulgar, mas que graça tinha?
Resolveu um dia comentar sobre o assunto com o marido, que achou muito estranho ela reivindicar mais liberdade de expressão. Ora, manter-se entre parênteses era um charmoso confinamento. “Minha linda, você é uma mulher que guarda a sua alma."
Um dia ela acordou e descobriu que não queria mais guardar a sua alma. Não queria mais ser um esclarecimento oculto. Ela queria fazer parte da confusão.
“Mas, minha linda...” E não quis mais, também, aquele homem entre aspas.”

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

HOLOCAUSTO BRASILEIRO

                                             ESCRITO POR ANNATROTTAYARYD
  Para alguns, o nome Holocausto Brasileiro pode parecer, à primeira vista, algum tipo de hipérbole marqueteira, mas não é. Trata-se, na realidade, de um importante livro-reportagem de autoria da jornalista Daniela Arbex, que resgata do esquecimento um dos capítulos mais macabros da nossa história: a barbárie e a desumanidade praticadas, durante a maior parte do século XX, no maior hospício do Brasil, conhecido por Colônia, onde, com a conivência de médicos, funcionários e da própria sociedade, o Estado violou, matou e mutilou dezenas de milhares de internos.
  Ironicamente, ou talvez não, tal qual os habitantes dos campos nazistas, os internos do Colônia eram enviados para lá por trens, os “trens de doido”, como eram chamados regionalmente, a partir de expressão criada por Guimarães Rosa.  Eram epiléticos, alcoólatras, homossexuais, prostitutas, tímidos, meninas grávidas violentadas por seus patrões, gente que se sentia triste, gente que se rebelava ou apenas gente que incomodava alguém com mais poder, a maioria sem qualquer diagnóstico médico.  Também havia crianças transferidas do Hospital de Neuropsiquiatria Infantil, em Oliveiras, MG, todos ali largados à própria sorte, sem qualquer projeto terapêutico ou acesso à educação formal ou informal. 
  Ao chegar, perdiam seus bens, seus nomes, seus vínculos, sua voz e sua dignidade. Viviam nus, comiam ratos, bebiam água do esgoto, dormiam ao relento, eram espancados. Nas noites geladas, cobertos por trapos, morriam de frio. Como a morte simbólica se dava na ocasião da internação, a morte física mal era notada. Entre 1968 e 1980 essa fábrica de mortes se deu conta do valor de mercado dos cadáveres dos sujeitos que, quando vivos, nada valiam; 1823 corpos foram vendidos para suprir 17 faculdades de Medicina em todo o país. Ao menos 30 bebês foram “sequestrados” e “adotados” por “famílias de bem”.
  Transformando em palavras o que era silêncio e devolvendo nome, história e identidade àqueles que até então eram invisíveis de todos nós, o livro Holocausto Brasileiro dói e assusta ao mostrar as vítimas da violência dos normais. E, ao expor e resgatar com veemência o lado sombrio dos hospícios e o uso do poder arbitrário pelas autoridades, tantas vezes convertido em completo abuso e descaso, nos faz estremecer.
  Nas fotografias, o livro mantém vivo o passado recente, escancara a miséria humana e compartilha conosco o sofrimento das pessoas que resistiram e sobreviveram.         
  Para quem não sabe, a prática alienante e degradante do “Hospital Psiquiátrico Colônia” foi mantida até o início da década de 1980, quando a redemocratização gradual do país levantou a cortina de ferro que o protegia, indignando a opinião pública, que exigiu mudanças efetivas. A figura mais ilustre a emprestar seu prestígio e força política na denúncia do “Hospital Psiquiátrico Colônia” foi o psiquiatra italiano Franco Basaglia, teórico da Reforma Psiquiátrica, que levou à abertura de todos os manicômios daquele país, em 1973. Ele veio ao Brasil em 1979 para uma série de palestras, oportunidade em que o psiquiatra mineiro Antônio Soares Simone o convidou para visitar uma série de hospitais públicos daquele Estado, dentre eles, o “Colônia”.
    No final de sua visita, Basaglia convocou uma coletiva de imprensa e denunciou as condições desumanas do hospital, comparando-o a um campo nazista.  Esta entrevista teve forte repercussão nacional e internacional e não pode ser abafada.  Mesmo assim, Simone sofreu processo dos hospitais visitados e correu o risco de ter seu diploma cassado pelo CRM. 
  A repercussão desta denúncia aumentou a pressão sobre o poder público e ficou mais difícil impedir novas visitações, o que possibilitou a realização das reportagens de Hiram Firmino no “Estado de Minas” e do filme Em Nome da Razão, de Helvécio Ratton. Estes trabalhos deram condições políticas para a Luta Antimanicomial e para a organização da Reforma Psiquiátrica brasileira, que definiu novas diretrizes para a Saúde Mental, superando o modelo manicomial que perdurava desde a era Vargas, num importante esforço de redemocratização do país. 
   Essa história, entretanto, ainda não acabou.  A vistoria nacional realizada em 2004 pelo Conselho Federal de Psicologia em parceria com o Conselho Federal da OAB contabilizou 28 instituições com internos em condições degradantes, altos índices de óbitos, cárceres e instrumentos de coerção e tortura. Em nova vistoria realizada em 2011, constatou-se a permanência de maus tratos e violação dos direitos humanos tanto em hospitais quanto em Comunidades Terapêuticas.
     Certamente o respeitar o diferente, o aprender com o estranho e o tolerar os outros representam grandes desafios para o gênero humano e para qualquer sociedade que deseja o progresso e o desenvolvimento real.
  Mas o que vimos durante anos, foram soluções mais fáceis, no sentido de segregar aqueles que são diferentes, afastar outros que fogem ao padrão estabelecido, a fim de proteger o conjunto de crenças consolidadas para manutenção do estado de coisas existente.
  Essas atitudes separatistas e distintivas entre seres humanos, porém, nunca aparentaram ser efetivamente positivas para o gênero humano. Excluir aqueles que são supostamente diferentes, apenas pelo mero fato de que não compartilham de um mesmo padrão mental, representa uma atitude odiosa de sociedades excludentes e preconceituosas.
     Evidente que existe o outro lado, de onde é possível fazer também um relato tão chocante e tocante, mostrando loucos que desgraçaram a vida de inocentes, que infernizaram suas famílias, que mataram ou se suicidaram, livres das amarras dos hospícios. Por isso, não consigo endossar a visão romântica de Foucault, autor de A história da loucura, que pretendia soltar todos os ‘malucos’ pelo mundo. 
     Concordo que há diagnóstico em excesso no mundo moderno, que qualquer variação de comportamento é logo vista como doença tratável à base de remédios ou até internação. Mas será que, então, a loucura é um mito? Será que, caso exista, ela pode ser sempre tratada de forma branda, em CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) e Serviços Residenciais Terapêuticos, sob responsabilidade única das famílias e vontade própria do doente? Minha experiência me diz que não, e que minimizar os riscos que esses doentes representam para si próprios e para terceiros é perigoso. Em muitos casos, ainda que extremos, a internação compulsória pode ser a única forma de salvá-los, ou proteger os demais.
     Claro que tenho medo dos ‘Simões Bacamarte’ - personagem de O Alienista, de Machado de Assis -  que acreditando ser o único detentor da razão, constatou que todos na cidade eram loucos, trancafiando-os na Casa Verde. Lá no final, porém, percebeu que o louco era ele mesmo, soltou todos e se prendeu sozinho no hospício.
      Por isso, devemos lutar a todo custo contra a arbitrariedade e o abuso de poder das autoridades. Assim como o livro acima mencionado, o filme A Troca, com Angelina Jolie, relata um caso verídico, entre tantos, do mal que isso pode causar a inocentes. Mas também não dá para dizer que no mundo são todos “malucos beleza”, como na música de Raul Seixas.
      Existem pessoas com transtornos mentais, dependentes de álcool e drogas perigosos sim, que colocam em risco a própria vida e a vida de terceiros e precisam de tratamento e de internação, e existem casos em que não há tratamento.
       Por isso, penso que nessa história, ainda precisamos achar o caminho do meio. Não são questões fáceis, por isso desconfio de respostas muito enfáticas e definitivas. Também não sou eu a detentora das respostas.
        Reconheço que a luta antimanicomial serviu para jogar luz sobre as trevas desses “hospitais” desumanos, mas realmente não consigo ir ao limite pregado por Foucault ou Szasz, de “liberar geral”, ou mesmo suspender o critério minimamente objetivo acerca da existência da loucura. Isso sim, para mim, parece coisa de maluco!
          Penso que um bom avanço seria conseguir nos livrarmos do pré-conceito que desumaniza os portadores de doença mental e nos faz entender a internação como a história inteira, quando na realidade ela é apenas uma parte da história, um momento e não um destino. Isso, por si só, já nos permitiria escrever uma nova história, com outro final.
        Porque se há alguma razão na “loucura”, em doses leves, há muita loucura na razão “absoluta.
      E para aqueles que estão pensando se advogo em causa própria? Minha resposta é:
- Talvez....
     

terça-feira, 9 de junho de 2015

A águia que não queria voar - Pequenas histórias, GRANDES lições.

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      A águia que não queria voar é uma bela parábola de autoria do educador ganense James Aggrey, que ganhou o mundo e foi repetida em um sem-número de versões e idiomas, desde a sua escritura, um século atrás.
 a águia
     James Aggrey era intelectual, missionário e pedagogo. Nascido em 1875, na cidade de Anomabu, Gana, ele teve grande relevância política como educador de seu povo e foi considerado um dos precursores do nacionalismo africano e do moderno pan-africanismo.
     Para quem não sabe, Gana, no século XVI, era uma colônia portuguesa e era tão rica em ouro e pedras que foi chamada de Costa do Ouro. No século XVII, entretanto, sob o pretexto de combater a exportação de escravos para as Américas, a Inglaterra apoderou-se dessa colônia portuguesa, e para ocultar a violência da sua conquista, como em regra fizeram todos os conquistadores, os ingleses passaram a  desmoralizar os conquistados, tratando-os com desigualdade e discriminação, consagrando suas diferenças como inferioridade. 
    Falavam tanto e com tamanha convicção, que muitos dos colonizados acabaram escravizados por essas ideias e valores antipopulares, hospedando dentro de si esses preconceitos, passando a acreditar que realmente valiam menos.
     Essa pequena história sobre uma águia criada entre galinhas que não queria voar, foi escrita por Aggrey como um lembrete aos povos africanos, então sob dominação europeia, buscando  mostrar a eles que a riqueza de suas culturas e tradições seguia viva, a despeito da opressão. Ele acreditava que para libertar o país era preciso, antes de tudo, libertar a consciência do seu povo resgatando sua própria dignidade a fim despetá-los para sua grandeza esquecida. 
    Por isso, em 1925, quando participava de uma reunião de líderes populares na qual discutiam os caminhos da libertação do domínio colonial inglês,  ele pediu a palavra e com a calma de um sábio contou:
     Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro para mantê-lo cativo em sua casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. Entretanto, muito embora a águia fosse o rei/rainha de todos os pássaros, ele o colocou no galinheiro, junto com as galinhas e começou a alimentá-lo com milho e ração própria para galinhas
     Depois de cinco anos, este homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista que lhe disse:
- Esse pássaro aí não é uma galinha. É uma águia.
- De fato – disse o camponês. É uma águia. Mas eu o criei como galinha portanto ela não é mais uma águia. Transformou-se em galinha como as outras, apesar das asas de quase três metros de extensão.
- Não – retrucou o naturalista. Ela é e sempre será uma águia, pois tem coração de águia e este coração, uma dia, a fará voar às alturas.
- Não, não – insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia.
     Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e desafiando-a disse:
- Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e voe!
     A águia, que olhava distraidamente ao redor, viu as galinhas lá embaixo ciscando e pulou para junto delas. Observou o camponês:
- Eu não disse? Ela virou uma simples galinha!
- Não – tornou a insistir o naturalista. Ela é uma águia. E uma águia será sempre uma águia.
     No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa e sussurrou-lhe:
- Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe!
     Mas de novo a águia se juntou às galinhas, que ciscavam no chão.
     Sem desistir, o naturalista convocou o camponês para levarem a águia para fora da cidade e bem longe das casas dos homens, no alto de uma montanha. Então, enquanto o sol nascia dourando os picos das montanhas, ele ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:
- Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!
     A águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos pudessem se encher da claridade solar e da vastidão do horizonte.
     Nesse momento, ela abriu suas potentes asas, grasnou e ergueu-se, soberana sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez para mais alto, até confundir-se com o azul do firmamento.
     Então,James Aggrey finalizou:
- Irmãos e irmãs, meus compatriotas! Nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus! Mas houve pessoas que nos fizeram pensar como galinhas. E muitos de nós ainda acham que somos efetivamente galinhas. Mas nós somos águias. Jamais nos contentemos com os grãos que nos jogarem aos pés para ciscar.
     Infelizmente, Aggrey não pôde ver a libertação de seu povo. Ele morreu em 1927, enquanto a libertação veio com Kawame N’Krumah, apenas uma geração após. Mas com essa história, ele semeou sonhos.
     Na realidade, com essa história que representa uma poderosa metáfora da existência humana, Aggrey evocou as dimensões mais profundas do espírito, indispensáveis para o processo de realização e personalização pelo qual todo o ser humano passa: o sentimento de autoestima, a capacidade de dar a volta por cima nas dificuldades quase insuperáveis e a criatividade diante de situações de opressão coletiva que ameaçam o horizonte da esperança.
     A galinha, expressa a situação humana no seu cotidiano, no círculo da vida privada, nos afazeres domésticos, nos hábitos e tradições culturais, na dimensão inevitável de limitações e de sombras que marcam a vida. A águia, por sua vez, representa a mesma vida humana em sua criatividade, em sua capacidade de romper barreiras, em seus sonhos, em sua luz, ou seja, em sua transcendência.
     Ambas se complementam e traduzem o dinamismo humano. Dualidades que estão presentes para onde olharmos, revestidas de muitos nomes: realidade e sonho, necessidade e desejo, história e utopia, fato e ideia, corpo e alma, religião e fé, caos e cosmos, ética e moral, e tantos outros. Todas, dois lados do mesmo corpo e dimensões da mesma e única realidade complexa, porque nada é somente o uno e nada é somente o verso, tudo e universo, unidade dimanica e energia cósmica. 
     Caso você queira extrair dessa história todas as suas nuances, recomendo a leitura do livro “A ÁGUIA E A GALINHA – UMA METÁFORA DA CONDIÇÃO HUMANA”, de Leonardo Boff. Espero que tenha gostado.
    

domingo, 5 de abril de 2015

ENSINAMENTOS DE VÓ

      Minha avó é um presente para sempre presente em tudo que sou. 
     Como uma verdadeira mulher de idade, ela era o próprio símbolo da dignidade, sabedoria, experiência, atenção às tradições e limites bem definidos. Tudo isso, claro, com boa dose de irreverência irritadiça, franca e encantadora para contrabalançar.
      Via-a pouco, mas apreciava-a muito. Para mim, ela era uma espécie diferente das outras mulheres que conhecia. Somente em alguns momentos conseguia vê-la em sua dimensão humana. Minha grande parceira de jogo da memória. A melhor compradora dos meus chaveiros de coleção, que ela mesma me dava. Apenas nós duas entendíamos quão valiosos e raros eles eram.
     Em sua máquina de costura, ela inventava maravilhas com restos de tecidos e tinha sempre solução para tudo. Minhas bonecas eram elegantes graças a ela. E sempre que lhe confidenciava minhas chateações cotidianas e problemas de família, ela ia logo dizendo:
-Bobagem filha. A vida é assim mesmo, melhor viver sem muita dramatização. Com pai e mãe é preciso paciência e família é assim, “à moda da casa”, cada casa gosta de prepará-la a seu jeito, impossível a comparação
    Lugares-comuns, para problemas comuns de uma vida comum.
    Como em geral faz com quase todos, a vida deu e tirou de tudo da minha avó. Quando menina ela perdeu o pai e depois, mais um pouquinho, lá se foi o único irmão, que era o arrimo de família. É incrível como os azares nessa vida sempre vêm aos pares.
    Então lá foi ela, ainda muito jovem, trabalhar para sustentar a casa, a mãe e a irmã. Não demorou muito, sua irmã sempre muito doente, também faleceu deixando-lhe de presente sua única filha - minha mãe – para que ela continuasse a criar. E ela criou sozinha, como se fosse sua. 
    Enquanto a maioria das mulheres, naquela época, cursava magistério, minha mãe, orientada por minha avó, estudou inglês e fez secretariado para poder trabalhar em multinacional. E ganhou dela, o seu primeiro carro.
-Mulher tem que ser independente, dizia minha avó, como uma verdadeira mulher à frente de seu tempo.
    Durona feita uma rocha, abraços e carícias decididamente não eram seu forte. Suas lágrimas jamais ficaram à mostra. Mas sempre que ouvia sobre os meus sonhos extraordinários e os projetos grandiosos para minha vida, seu riso se abria e seus olhos brilhavam. E era exatamente nesse seu sorriso que ela me mostrava que entre um cantinho e outro da boca, sem muito esforço, cabe todo o amor do mundo. Amor desmedido que dispensa palavras e gestos largos, porque o amor é sempre assim, cheio de desimportâncias que fazem uma vida.
   Somente depois que sua mãe morreu e a minha mãe se casou que minha avó se permitiu ter um companheiro e uma vida só dela. Ao optar por não casar foi muito discriminada e ouviu bobagens, mas com sua elegante irreverência, não se curvou. E foi feliz.
   Não tardou, seu companheiro morreu. Achei que seria um baque, mas ela mudou da casa em que viveu com ele como quem passa no vestibular. Não, não era falta de saudades ou de amor no casal. Era só a vontade de viver dela, sempre a prevalecer.
   Alguns anos depois, quando minha mãe faleceu, mesmo na dor inominável da inversão da lógica de sepultar aquele que deveria sepultá-la, lá estava ela, firme e forte, pronta para me confortar e me empurrar adiante:
-A vida é professora que dita rápido, acompanha quem puder. Sem autopiedade, minha filha. Sem autopiedade.
   E mais tarde, no meu casamento - tendo feito uma mastectomia há menos de um mês - novamente lá estava ela, linda e forte, sorrindo para mim.
   Não, tragédias não faltaram. Mas a mulher tinha uma força para seguir em frente que só vendo! Com sua imensa sabedoria, soube preservar sua individualidade, liberdade e autonomia até o fim. A solidão nunca a assustou e na sua simplicidade, ela deu conta da vida curvando-se sempre, sem nunca se quebrar.
   Quando ela partiu, foi muito duro. Lembro-me que passei muito tempo tentando exorcizar a tristeza com rituais inúteis. Ainda bem o tempo decanta o passado e os dias se encarregam de colocar tudo na perspectiva adequada. Atualmente lembro-me dela com alegre saudade. Claro que é possível. Sempre há algo divertido e leve na dor da lembrança
   Hoje minha avó tem cheiro de pão de queijo e bolo de fubá. Tem gosto de minestrone e de ameixa amarela. E sua marca registrada é o “coque banana” - impossível ver alguém de coque banana sem me lembrar dela. Além disso, diversas frases, circunstâncias e alguns dos seus objetos pessoais, que hoje fazem parte da minha casa, sempre me remetem a ela, com alegre saudade.
   E nesses momentos eu agradeço. Agradeço aos céus por ter tido o privilégio de ser sua neta. Pela oportunidade de aprender com ela sua arte de saborear a vida. Agradeço por ela ter de mostrado, à sua maneira, que a vida sempre é possível.
   Espero me lembrar de seus ensinamentos até o final, mas se por acaso, por algum motivo um dia esquecer, deixo-os aqui registrado para alguém possa me contar.
-A vida é professora que dita rápido, acompanha quem puder. Sem autopiedade, minha filha. Sem autopiedade...

segunda-feira, 9 de março de 2015

Maceió: linda e cheia de charme

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     Se você nunca foi a Maceió, coloque a capital de Alagoas no seu mapa. É imperdível!!!
    Considerada uma das capitais mais bonitas do nordeste – para alguns, a capital mais‘fotogênica’- Maceió oferece aos turistas uma orla extensa e preservada, com um lindo mar em tons de verde, piscinas naturais, coqueirais a perder de vista, uma excelente culinária, além de um povo alegre e muito simpático.
    Aliás, quanto mais viajo por esse nosso ‘Brasilzão’afora, mais me convenço que Lulu Santos tinha toda a razão: o Havaí é mesmo aqui.
    Maceió é uma cidade simples, de fácil deslocamento, por isso o ideal é alugar um carro, aproveitando o fato de que as principais atrações concentram-se numa linha reta e encontrar lugar para estacionar nunca é problema. Muito embora as praias mais bonitas fiquem ao norte e ao sul de Maceió, a ‘vibe’da orla do centro da cidade é vibrante e contagiante. Assim, vale a pena ficar por lá pelo menos dois dias para curtir a praia e passear pelo calçadão no final da tarde.
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     Assim, sugiro que inicie sua viagem escolhendo um dos hotéis da praia de Pajuçara - você poderá escolher aquele que melhor se encaixa no seu bolso pelo Booking, Decolar ou Tripadvisor.
     Nessa praia você encontrará dezenas de jangadas que levam os turistas aos arrecifes, pouco quilômetros mar adentro, onde as piscinas naturais, os peixinhos coloridos e as formações de coral fazem a diversão da galera.
     Sucesso de público e no quesito gente bonita, ali você também vai encontrar as barracas Lopana e Kanoa, lugar perfeito para um fim de tarde ao som de jazz e música estilo lounge. Também pode ser uma ótima alternativa para as manhãs de sábado ou domingo, dias em que ambas as barracas estendem seu atendimento à faixa de areia em frente, com um cardápio cheio de sucos feitos da própria fruta, caipiroscas no ponto, saladas e caldinhos. E, caso não tenha se interessado em ir de jangada às piscinas naturais, poderá optar pelo confortável passeio de catamarã nas piscinas de Ponta Verde, que parte da Lopana.
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    Outro passeio divertido e obrigatório pelo centro é a Feirinha de Artesanato da Pajuçara, organizada com artigos bonitos e muita renda de filó – carro chefe do artesanato local. Lá também é um ótimo local para comprar castanhas de caju torradinhas, a preço bem convidativo.
     Como optamos por ficar na praia do Francês, ao sul, não tivemos interesse em conhecer Maragogi, nem a rota ecológica das praias ao norte, muito embora existam vários passeios disponíveis. Pretendemos fazer isso em outra viagem. Assim, ao norte, o máximo que fomos foi até o bar e restaurante Hibiscus, que fica na praia de Ipioca.
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     Discretamente localizado dentro de um condomínio, o Angra de Ipioca, com acesso pela rodovia AL-101, o Hibiscus viroupoint coolde quem quer curtir uma praia com estrutura rústico-chique e boa seleção musical de rock dos anos 60,70 e 80, jazz e MPB. O local é bonito e aconchegante e a infraestrutura é ótima, principalmente para a criançada. Mas prepare o bolso, porque apenas para entrar, terá que pagar R$25,00 por pessoa.
     Se resolver ir até lá, minha sugestão é o polvo com ervas. Um dos melhores que já comi na vida. Ele simplesmente derrete na boca!!!
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    Na praia do Francês, ficamos no hotel Ponta Verde, novinho em folha, com quartos grandes e serviço muito bom. O local é ótimo e privilegiado, assim recomendo. Ela fica a apenas 33 quilômetros de Maceió, no município de Marechal Deodoro. Com tons de água que vão desde o verde claro ao azul intenso, a praia do Francês é considerada point pelos alagoanos.
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     Além de muita belezura, se der sorte, ainda poderá encontrar por lá o Nino, tirador de ouriço – figura carismática da região que vai fazer você entender que a arte sempre repete a vida - Chico Anízio que o diga. Espero sinceramente, que você, assim como eu, não precise dele. Por isso fique esperto nos passeios porque sim, há muitos ouriços nas pedras!!! E o Arliedson – sempre me divirto com esses nomes que homenageiam o avô, a avó, o vizinho e o ídolo de futebol em combinações que na maioria das vezes não combinam nada - ele fica zanzando de um lado para o outro da praia com roupa branca e chapéu amarelo, vendendo comida e seu imbatível suco solvete - tão batido que vem nevado: com uma nuvem em cima. Nem preciso dizer que é outra figuraça, né?
     Lá também tem o delicioso acarajé da Malu e mais um monte de gente que se vira nos trinta e anda pela praia o dia inteiro, naquele sol de rachar o coco, vendendo uma variedade enorme de coisas com um sorriso no rosto e sempre muita história para contar...
     De lá, um dia fomos até a Barra de São Miguel, outro balneário bem badalado da região sul, onde ficamos na barraca de praia Praêro, local bem gostoso, para variar. Lá, além do coquetel clássico de abacaxi, servido na fruta, comemos o filé cremoso indicado pelo garçom, que indico.
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     E noutro, fomos até a praia do Gunga, considerada pelo Guia 4 rodas, um dos cenários mais deslumbrantes do Brasil. Seu acesso pode se dar de barco, partindo da Barra de São Miguel, ou de carro. Lá o calmíssimo e transparente mar é fruto da junção das águas da lagoa do Roteiro com o oceano Atlântico. Para chegar ao Gunga de carro, você terá que seguir pela Rodovia e passar pela imponente ponte que atravessa a Lagoa até a fazenda de cocos onde está localizada a praia. O cenário é deslumbrante, e o coqueiral é a perder de vista. Simplesmente maravilhoso!!!
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     Mas, o mais legal de lá é que, cansou da areia e quer fazer alguma coisa diferente do tipo, voar num planador? Fazer passeio de lancha? Bananaboat? Atravessar até a Barra de São Miguel do outro lado do rio? Fazer umas comprinhas? Tem, tem, tem, tem e tem. E tem também passeio de quadriciclo ou de buggy até umas falésias ali nas redondezas, com cenário paradisíaco.
     Esculpidas pela erosão, trabalho do mar, da chuva e dos fortes ventos do nordeste, essas falésias, com pequenos cânions e galerias apresentam cores e tons muito variados, uma composição capaz de deslumbrar qualquer visitante, até os mais exigentes.
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     Quanto aos restaurantes? Para quem gosta de comida típica nordestina, indico o restaurante Bodega do Sertão – lugar aconchegante, com decoração rústica e detalhes regionais de encher os olhos. Vale a pena experimentar a carne de sol com nata. O restaurante recebeu o prêmio da Revista Veja de Comer e Beber em 2011 e 2012.
     Outro restaurante imperdível é o Imperador do Camarão – tem o restaurante e a barraca de praia. Lá, o carro chefe é o chiclete de camarão, prato típico da região. Vale a pena conferir.
     Agora, se estiver cansado de comida típica e frutos do mar, uma ótima opção é o Parmegiano. Pratos muito bem servidos, serviço rápido e preço justo.
     Também sugiro o Akuaba – comida baiana e o Wanchako - referência nacional de comida peruana, ambos muito bons, indicados por uma amiga alagoana do meu filho. Valeu a dica, Gabi!!!
     Finalmente, não deixe de conhecer o restaurante SUR - denominado de cozinha alagoana criativa. Atualmente esse é o restaurante mais recomendado da região.
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Carne de sol em formato de rosbife com dois tipos de molho, com destaque para cebolas caramelizadas  http://blog.tnh1.ne10.uol.com.br/nidelins/2013/05/15/cozinha-alagoana-criativa/
     Agora, se quiser uma lembrança diferente e ter a oportunidade de comprá-la das mãos do próprio artesão – o que particularmente eu adoro - vá ao Bairro das Rendeiras, que fica na direção sul, às margens da Lagoa Mundaú. As lojas se espalham pela rua oferecendo trabalhos em rendas e bordados no delicado estilo filé – rendado tipicamente alagoano.
     Aliás, você sabia que o bordado filé é reconhecido como Patrimônio Imaterial do Estado de Alagoas e já é até exportado? Caracterizado pela confecção de uma rede similar à de pesca, presa nas extremidades a um tear de madeira, é trabalhado em agulha e linha de algodão, transformando-se em um bordado com vários pontos geométricos e multicoloridos. No bucólico bairro do Pontal da Barra, a ágil agulha das rendeiras vai em movimentos rápidos e cadenciados, compondo a malha de rede de pescar, enquanto a “prosa” corre solta à beira da Lagoa Mundaú. Talvez você não dê muito valor no local, pela forma como ficam expostos, mas se souber olhar com outros olhos....são verdadeiras obras de arte, ao alcance das mãos e do bolso.
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     E se você é daqueles que gosta muuuuuito de artesanato e valoriza a arte brasileira assim como eu, procure pelas peças de cerâmica de João das Alagoas, da comunidade de Capela. João das Alagoas, como tantos outros artistas brasileiros, é um homem solidário que segue ensinando seu ofício a muita gente de Capela, como é o caso da ex cortadora de cana e mãe de três filhos Sil. Ele já fez de tudo na vida. Foi pedreiro, pintor e doceiro, até que descobriu o seu talento para a cerâmica. E que talento!!! Mestre em criar bois com desenhos em alto relevo com temas da cultura e da vida do nordestino, João das Alagoas é um retrato vivo da cultura popular. Gente que faz.
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     Abaixo, a minha mais nova aquisição, que está em local nobre da minha sala eclética. Um dia ainda mostro para vocês todas as peças que trouxe das minhas andanças pelo Brasil, e que me enchem de orgulho!!!!
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     E ‘bora’ viajar na viagem: antes, durante e depois...